“é como se conhecêssemos bem o tempo?”

lista de quadrinhos?!

Hoje vou fazer uma daquelas coisas inúteis para ver se afasto alguns pensamentos chatos, antes de voltar a estudar. Pensei, pensei, pensei e decidi cair em listas. MAs de quê? Que tal de quadrinhos, do tipo: doze quadrinhos que estão entre os melhores que já li? Bem, imaginei uma lista mutante e provisória que segue adiante sem ordem de preferência, exceto a de já estarem na listinha.

1. Monstro do Pântano:

A mais bela das criaturas num corpo disforme, mas esta fera não vira príncipe. Primeiro, nascido Alec Holland, depois apenas Monstro do Pântano mesmo, suas desventuras com Abigail, Costantine, a Brujeria, Arcano, as Trevas Originais, Etrigan, etc, me fascinaram. Jamais esquecerei quando ele entrou nas Trevas em resignação e conversou com a escuridão com serenidade invejável. Ao final do embate definitivo, tudo permaceia igual, mas o sentimento, este estava diferente. Alan Moore fez pura poesia com a umidade e os cheiros fortes do pântano nos desenhos de Rick Veitch e Stephen Bissete.

2. Sandman:

Este quadrinho especial com desenhos nem sempre à altura de seus protagonistas. Neil Gaiman idealizou a família mais sinistra, estranha e impressionante ao tornar irmãos destino, morte, sonho, destruição, desejo, desespero e delírio/deleite. As desventuras de Sonho, o Senhor das Histórias, muito bem traduzido no Brasil como senhor das História e não das estórias, provou que Freud não havia acertado enfim o que é um sonho e seu corretalo, o pesadelo. Sonhos não são desejos, mas a matéria-prima que só aparece na forma de história. E Sonho, que é lindamente desenhado por Mike Dringenberg e alguns poucos outros, sempre foi um dos poucos personagens com quem consegui me identificar mais plenamente. Gaiman nunca admitiu mas tudo começa com a irmandade da morte e do sono na mitologia grega…

3. Nausicäa do vale dos ventos:

A menina dos sonhos. A moça pefeita apaixonada por tudo, cujo coração é feito do ar gostoso, nem muito quente, nem muito frio. Já escrevi sobre ela aqui, Nausicäa, a amada dos Ohms, a única que compreende o que é o Mar Podre. Uma história ecológica dos anos 1980, que mostrava o coração ruim do homem contraposto ao coração bom da doce menina. A sensibilidade da domadora dos ventos me impressiona. Acho que ela é minha parenta, filha de águas doces com o tempo. Como não amá-la? Hayao Miyasaki, desenhos a argumento que tocaram os céus.

4. Akira:

A maior reflexão intelectual que os quadrinhos já viu. Tudo que veio depois dele é menor. Há outras coisas mais bonitas, mais inteligentes, até mais espertas, menos pomposas e pretenciosas, mas as aventuras de Kaneda, Tetsuo e companhia permanecem como uma indagação sobre o humano. O homem, caminha olhando para a sola do próprio pé, nos lembra uma das personagens. Katsuhiro Otomo criou uma das obras máximas do quadrinho japonês.

5. Ken Parker:

Frequentemente os italianos fazem faroestes mais bonitos que os próprios americanos. Interessante ver que o melhor deles é realmente italiano, de duas pessoas que se apropriaram da mitologia alheia e criou poesia lírica e reflexiva sobre os mitos do mundo das fronteiras no oeste americano. Sobre os roteiros lindos de Giancarlo Berardi e os desenhos magníficos de Ivo Milazzo, este gibi conquistou meu coração ao mostrar com piedade e compaixão a morte de uma foca numa das mais belas histórias em quadrinhos que já li.

6. Do Inferno:

A perversidade. O tanto que Alan Moore foi capaz de fazer um terror lírico, ele foi capaz de tocar a imundice humana e mostrar como a transcendência está fincada na carne. Este quadrinho sobre uma hipótese para Jack, o estripador, conta com um roteiro soberbo e um desenho absoluto de Eddie Campbell. O quarto capítulo da série é uma das coisas mais assustadoras que já li. Teoria conspiratória? Também, mas acima de tudo, poesia sinistra do caos. O mundo é melhor com loucos como Alan Moore escrevendo loucamente para nós e para o futuro.

7. Evangelion:

Na mesma linha de Akira, pergunta sobre o humano, mas diferente daquele consegue compreender a transcendência como uma permanência no mundo, ou seja, como uma eternidade fraturada, um contra-senso teórico e só possível porque poético. Que são os anjos? Que são as crianças? O amor de Shinji e Rei são tocantes ao extremo. Rei, em especial, jamais é humana justamente por ser humana demais. E o herói é um personagem fraco e inseguro que tenta desesperadamente conseguir carinho. As lições da infância são mortais oas adultos desse quadrinho, onde cada um tem mais pecados do que é capaz de pagar. O improvável amor de Kawouro por Shinji, idealizado por Yoshiyuki Sadamoto é o foco de como anjos e homens se tornam tão parecidos e diferentes.

8. Sin City:

Esta é a maior beleza que Fran Miller já escreveu. E é o menos pretencioso dos seus gibis, o único no qual ele quiz se divertir com o preto e branco e o úncio no qual ele equiparou seu talento de roteirista e narrador com seu desenho tosco e imperfeito, mas ideal para a trama quie criava. Ele fez coisas mais inteligentes e profundas antes e depois desta série, mas nunca atingiu a perfeição como aqui. Uma reinvenção dos quadrinhos para os anos 1990 sem qualquer reflexão ética, mas novamente dotada de homens obsessivos e obsecados formados por um código moral pessoal inabalável.

9. Little Nemo:

Se fosse escolher o melhor dos quadrinhos, escolheria este. O mundo dos sonhos é lindo da poesia de Winsor McCay. Como pode alguém ser tão impressionante e mostrar ininterruptamente o avanço e frustração do pequeno Nemo rumo ao encontro de Morpheus para depois mostrar as formas como ele se deu com o rei? O surrealismo pouco tem a ensinar a McCay, mas muito a aprender, na forma como as imagens podem ser feitas e refeitas pela imaginação que corre à pena.

10. Mafalda:

A menina mais inteligente do mundo é dona do quadrinho argentino mais badalado do mundo. Mafalda, Miguelito, Felipe, Susanita, Liberdade, Manolito, etc, são parte de uma galeria única de personagens que brigam para encontrarem o lugar no mundo. O desafio de seu criador, Quino, sempre foi dar consciência adulta a uma criança, fazendo de uma impossibilidade real uma realidade poética. As indagações de Mafalda frequentemente são as minhas. Como ela, me pergunto como Miguelito faz para não se contaminar.

11. Novos Deuses:

Queria pôr aqui tudo que já li sobre o Quarto Mundo de Jack Kirby. Quando o conheci achei seus desenhos feios, mas hoje compreendo o que representa seu traço. Em especial lembro do sentimento de inutilidade do Super-Homem quando foi na Supercidade e se descobriu apenas um entre muitos. Kirby denunciou como ninguém, numa história simples, o que definia a personagem. Mas são as aventuras de Órion e sua marcha rumo ao encontro com seu pai Darkseid que mais me impressionaram. O final que o autor criou na batalha de Pai contra Filho foi uma surpresa aterradora. Kirby é realmente “o Rei”.

12. Homem-Animal:

Tenho uma relação complicada com Grant Morrison. O tanto quanto gosto dele o acho pretencioso e exagerado. Mas seu Homem-Animal, com desenhos não tão bons, foi a mais bela de sua criações. Poucas vezes chorei lendo um quadrinho, mas o capítulo final na qual o pobre protagonista encontra seu criador e este lhe avisa que está encerrando sua participação porque estava se tornando um panfleto é muito bonito. O protagonista reencontra sua família num emocionante abraço junto com o sentido da vida. E foi de lá que compreendi que o mar era também uma das peles do mundo.

Essa lista tem uma etiqueta clara de quem começou a ler quadrinhos por meio do gênero dos super-heróis: a presença de tramas fantásticas, com personagens dotados de poderes, além de ter me formado numa geração “vertigo”, com algum gosto para filmes de terror, além de desenhos animados.

Anúncios

4 Respostas

  1. adorei gostei muito foi o melhor site de gibis q eu ja vi

    agosto 12, 2008 às 11:41 pm

  2. thayana

    Creio que Sandman viria em primeiro lugar, do inferro em segundo… fiquei mto curisa em Nausicäa do vale dos ventos…
    o monstro do pantano em terceiro.. ha liga da justica que gosto mto..preacher.. alem do snoop…

    eh por ai… 🙂

    novembro 12, 2008 às 11:59 am

  3. Elisio

    PERFEITO……ESSA É MINHA LISTA…APENAS FALTOU WILL EISNER E LOVE AND ROCKETS

    maio 19, 2009 às 10:20 pm

  4. CARLOS GOMES

    EU ACHO O SANDMAN PQ ELE E O REI DOS REIS O MAIORAL DOS PERPETUOS NO EXEMPLAR CARTAS NA MESA ELE MOSTRA QM ELE E REALMENTE E NINGUEM SE COMPARA A ELE SOU FAN NUMERO UM DELE E DE NEIL GAIMAN

    agosto 30, 2010 às 4:49 am

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s